31/01/2016

(Resenha de conto) Sapatilhas Vermelhas - Thaís Turesso



Eu disse que Sutilmente seria o primeiro de muitos contos que irei resenhar aqui no blog! Tô saindo da minha zona de conforto aos poucos... Hoje vamos falar de Sapatilhas Vermelhas, um conto de Thais Turesso. 

Com uma linguagem simples e direta, o conto tem como protagonista Rebeca (Becky), a típica menina inteligente que vence todos os concursos de redação da escola e possui uma paixão (crush) por Lucas, o típico garoto popular que namora uma garota popular também. Eles já estão no último ano, e nunca se falaram. O que temos aqui, então, é nenhuma possibilidade desses dois se amarem, certo? Errado.

Na noite do Baile dos Namorados, por um acaso, os dois acabam sendo parceiros de dança um do outro. Eis a chance que Becky tanto quis. Será que vai acontecer alguma coisa? Como eles acabaram sendo parceiros de dança um do outro? E a namorada do Lucas? Leiam para saber. 

Sim, é bem clichê, não vou negar, mas é aquele clichê bom de ler, sabe? É uma história que todo mundo sabe o que vai acontecer, mas, ainda assim, queremos ler, só para desfrutar de mais uma história de amor impossível. 

A Thais se apegou mais à descrição das cenas do que com a introspecção dos personagens. Prefiro um texto onde os sentimentos e pensamentos mais íntimos dos personagens são expostos, mesmo que isso faça o texto ficar enorme. Se ela tivesse se apegado menos à descrição e mais a introspecção dos personagens, creio que eu teria gostado mais. O conto é escrito em terceira pessoa, mas mesmo assim dá para explorar cada sentimento e pensamento do personagem, só não haverá a mesma facilidade que textos escritos em primeira pessoa.

Não vou contar o que há por trás das Sapatilhas Vermelhas, acho melhor deixar a surpresa. O que falar dessa capa? Muito bonita e bem feita. Antes de acabar a resenha, vou assumir uma coisa: comecei a ler esse conto porque achei a capa linda e essas sapatilhas são fofas (fútil, eu sei).

Por fim, recomendo o conto para quem quer ler algo bem escrito, clichê e açucarado do tipo: nerd e popular que se amam. É uma leitura bem leve, com uma ótima revisão, ideal para quem está lendo uma obra com uma leitura, digamos, mais pesada ou até mesmo livros com muitas páginas, é muito legal intercalar esse tipo de leitura com contos, fica a dica. 

“Fazia três anos desde que o vira pela primeira vez e, desde então, sonhava com ele todos os dias. Depois desse primeiro momento, encontrou com ele em todos os lugares que ia, na rua, no supermercado, na escola. Nesse último, era um verdadeiro martírio, ela deslumbrava a visão do amado, sempre acompanhado da garota mais popular da escola.”

FICHA TÉCNICA
Sinopse: Era a Noite dos Namorados, e todos do Colégio Albuquerque estavam ansiosos para desfrutar a noite mais esperada do semestre. Becky finalmente teria uma noite especial? Descubra nesse conto a magia de uma paixão...

Adicione ao skoob aqui
Título: Sapatilhas Vermelhas
Subtítulo: Um conto do dia dos namorados
Autor: Thaís Turesso
11 páginas
Editora: Amazon
Ano: 2014
Formato de leitura: digital
Compre: Amazon

15/01/2016

(Resenha de Conto) 'Ainda Estou Aqui' e '(Des)amor' - Marcia Dantas


Já começo a resenha com notícia boa: a autora, em parceria com o blog, colocou esses dois contos de graça lá na Amazon. (Des)amor vai estar de graça nos dias 16 e 17, baixe AQUI, e Ainda Estou Aqui poderá ser baixado gratuitamente nos dias 15 e 16, baixe AQUI.

2016 é ano de mudança boa? Sim. Vou perguntar de novo: 2016 é ano de coisa nova? (Falem um “sim” com emoção, por favor.) SIIIIIM. Eu sei que ninguém falou, mas vou acreditar que alguém falou. Pois é, tô cheia de energia para 2016. Estou querendo um ano bem lacrador, principalmente na literatura, por isso resolvi dar uma chance aos contos esse ano. Não tinha costume de lê-los, e eu nunca soube o motivo de todo esse desinteresse. Hoje, vou indicar dois contos maneiros que li recentemente: (Des)amor e Ainda Estou Aqui, da autora parceiraça aqui do blog, Marcia Dantas. 

Os dois contos tratam de términos de relacionamentos. Em (Des)amor, o fim é o começo de uma mudança para Juliana e também a quebra de um ideia do “casaram-se e viveram felizes para sempre”. A ideia do príncipe encantado e salvador é completamente infeliz, pois é depositado nesse ser todos os sonhos e expectativas, a personagem conclui. Aos poucos a autora vai tecendo as indagações da personagem, em terceira pessoa, que a leva a questionar tudo o que lhe foi ensinado e, claro, a não pôr tanta responsabilidade nas mãos de outra pessoa.

O conto, basicamente, centra-se no que passa na cabeça de Juliana, que está extremamente introspectiva. A autora intercala as descrições dos atos da personagem, chegando a sua nova casa, com as reflexões da mesma a respeito do seu conceito de felicidade.

“Como seria ter orgulho de si mesma? Pela primeira vez sua única busca seria por esse pequeno prêmio que se destinava apenas a seu deleite.” – (Des)amor.

Lendo esse conto, recordei-me de uma entrevista que a (talentosa) Marília Gabriela fez com o Padre Fábio de Melo. Ele questionava aquela clássica frase do livro O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por tudo o que tu cativas”. O padre falava justamente sobre o medo que algumas pessoas têm de não conseguir encontrar formas de ser feliz e, diante desse temor, depositam todas as suas expectativas em um pobre ser humano. Ninguém é responsável por felicidade alheia e destinar a uma pessoa tarefa tão difícil é algo realmente cruel. 

Em Ainda Estou aqui temos, novamente, uma cena pós-término de relacionamento. Assim como em (Des)amor, o conto é escrito em terceira pessoa. Duas garotas estão conversando, uma desabafa sobre como se sente após o término de um namoro que surgiu de uma amizade, enquanto a outra apenas escuta. A intenção da Marcia nesse conto foi justamente mostrar o quanto a linha que separa a amizade do sentimento romântico é tênue, o quanto o que sentimos por alguém pode ser confuso e como fica difícil, às vezes, definir o que sentimos, se é amizade ou um amor romântico. A autora deixa essa confusão bem explícita ao longo da narrativa.

“Ela ainda é o primeiro pensamento quando acordo e o último quando vou dormir.”  Ainda Estou aqui.

Recordei de uma frase da história em quadrinhos Azul é a Cor Mais Quente (em breve tem resenha): "Não existe uma fronteira bem delimitada e imóvel entre a amizade e o desejo amoroso". Assim que li essa frase, confesso que achei um absurdo, mas depois refleti um pouco. Cheguei mais ou menos a esta conclusão: amizade pode virar desejo amoroso, mas uma coisa não anula a outra. Os dois coexistem pacificamente, assim como um pode anular o outro. Entenderam? A linha é bem tênue. Confesso que essa confusão de sentimentos fode bagunça completamente a nossa cabeça. 

Agora que leram a minha resenha e reflexões já estão liberados para irem lá no site da Amazon baixar os contos. Tô brincando, calma. Relembrando: 


Ainda Estou Aqui: estará de graça nos dias 15 e 16, baixe AQUI;
(Des)amorestará de graça nos dias 16 e 17, baixe AQUI.


Não tá sabendo como ler os e-books da Amazon? Calma, eu escrevi uma postagem onde explico passo a passo o que fazer e, surpresa, você nem precisa ter um kindle! Leia AQUI

FICHA TÉCNICA:
Sinopse – (Des)amor: Juliana esperou a vida inteira pelo príncipe de seu conto de fadas particular. Mas acabou descobrindo que podia ser a protagonista de sua história.

Sinopse – Ainda Estou Aqui: Cleo queria ajudar sua melhor amiga Helena, como sempre fez. Mas tantas coisas tinham acontecido entre elas que tudo o que restava era o estranhamento e o temor. Poderiam elas voltar ao que eram antes? 

Até outra hora, gente! Beijos :*

13/01/2016

(Resenha de série) Orange Is the New Black


Sinopse: Piper Chapman é uma mulher na casa dos 30 anos que é sentenciada a 15 meses de prisão por um crime que cometeu há quase dez anos. Ela transportou dinheiro para sua namorada que era uma traficante internacional.

Podem ler a resenha de boa, pois ela não contém spoiler.

Geralmente, venho aqui falar de livros ou assuntos voltados à Literatura. No entanto, resolvi expandir os assuntos tratados aqui no blog, até porque ultimamente ando assistindo muitas séries, o que deixa pouco tempo para leituras. 

Crazy Eyes
Quando decidi começar a falar sobre séries, a primeira que passou pela minha cabeça foi: ORANGE IS THE NEW BLACK! Caramba, é a minha série favorita. Sempre ouvia as pessoas falarem maravilhas de Orange, até que certo dia a curiosidade bateu e fui procurar ler a sinopse... Não sei vocês, mas acho a sinopse de Orange pouco chamativa. 





Pensei logo isto: qual é a graça de acompanhar a rotina de uma prisão federal feminina? Pela sinopse, vemos que o foco está nas detentas, e não na direção da prisão. Isto é, o grande enredo seria:  Piper Chapman vai ao banheiro, enquanto Alex Vause a olha fazendo suas necessidades fisiológicas... O almoço do dia é uma gororoba pior do que o jantar de ontem... É sério, não senti vontade de assistir a série, pois não conseguia imaginar um enredo interessante o suficiente para fazer com que eu assistisse, no mínimo, 5 episódios. Só que o meu encontro com Orange estava escrito nas estrelas, eu tinha que assistir, pois futuramente seria a minha série favorita. 
Alex Vause
Já não sentia mais vontade de assistir a tão famigerada série, mas eis que encontro um post no site Lugar de Mulher e o leio. Vou só desviar um pouco o assunto aqui para expressar todo o meu amor por esse site e minha admiração para com grupo de mulheres que o escreve: super indico, deem uma passadinha lá, leiam qualquer post, tenho certeza que irão amar e se tornarão leitores assíduos do LM (tanto mulheres, quanto homens).
Doggett, a anja
O post falava sobre como a série resolveu fugir dos estereótipos femininos e em como as personagens são TODAS desenvolvidas. Aí, putz, o pessoal do Lugar de Mulher indicando uma série? A minha curiosidade voltou com força total. Abri uma nova guia e comecei a baixar o primeiro episódio da primeira temporada. Baixei esse episódio na fé, demorou uns 40 minutos com essa minha internet cocô! Porém, cada segundo valeu à pena. Paixão à primeira vista!

Dente-de-leão e Crazy Eyes (só por esses apelidos já dá para saber quem é quem, né?) 
Nos primeiros minutos, vemos o que a sinopse diz: Piper Chapman, uma garota vinda de uma família com boas condições financeiras, começa a se envolver com Alex Vouse, uma mulher que trabalha para um cartel internacional de drogas. Chapman parecia gostar da emoção de namorar uma criminosa, até que tudo muda e elas se separam. Alguns anos depois, ela precisa se entregar, pois descobrem que ela foi cúmplice de Alex.
Alex Vause
O interessante é que só sabemos do passado das duas pelos flashbacks, pois logo no primeiro episódio já mostra a Piper se entregando para ser presa. E tem mais uma coisa interessante: Alex e Piper vão cumprir sua pena na mesma penitenciária. Informando: Piper pensa que Alex a entregou para se vingar do passado, onde Piper pisou na bola legal com ela, como sempre. E aí? Será que Alex é uma cretina vingativa? Assista para saber, baby ;)


Abertura:


As prisioneiras trazem a sua história, mas dentro da prisão elas também criam história. Por exemplo, a Daya começa a se envolver com um guarda da prisão, Bennett. Titia Karina, uma prisão feminina com um guarda homem? Isso é possível? É claro que isso não é a coisa certa, mas é o que, infelizmente, acontece tanto na ficção quanto na realidade. Bem, acho que vocês já perceberam o quanto esse “amor proibido” vai dar problema. 


Nicky Nichols e seu olhar sedutor
Piper encontra naquelas detentas desbocadas uma espécie de família, pessoas que a ajudarão a passar por todo esse processo de aprendizagem... Tá, nem tudo que ela vai aprender será bom. Chapman é uma personagem que você vai amar/odiar. Imaginem uma guria que só faz merda... Já imaginou? Esqueça qualquer outra guria que tenha pensado, porque a Piper é a personagem mais imperfeita desse mundo e é isso que a torna uma personagem perfeita. Nossa, essa minha frase deve ter dado um bug em quem lê.

Lorna Morello falando a minha palavra favorita #Brincadeira
O que diferencia Orange Is the New Black das demais séries que assisti é que não existem personagens secundários. Com isso, quero dizer que todas os personagens são desenvolvidos, ninguém está lá só para ser a mulher engraçada com danças loucas (Taystee), a piradinha com Olhos Loucos (Suzanne "Crazy Eyes"), a péssima mãe que disputa com a própria filha e esposa de um traficante (Aleida Diaz). Elas são mais do que esses estereótipo, quer dizer, todo mundo é mais do que aparenta ser e é isso que Orange mostra. Todas aquelas mulheres estão ali por terem errado em algum momento e esse erro foi responsável por outro e outro e outro e outro. Foi responsável por colocá-las ali, naquela situação.


Taystee dançando de felicidade, pois tá com um penteado novo
Para se ter uma noção de como a série foi nota 10 em desenvolvimento de personagens, até mesmo o passado de duas pessoas que trabalham na prisão nos é apresentado, sendo que o foco do enredo são as detentas. Gente, é sério, assistam essa série, por favor, vocês não irão se arrepender. Orange Is the New Black está na terceira temporada, a quarta já está sendo gravada. São 13 episódios em cada temporada, ou seja... Ah, gente, assistam, please! 
Poussey e sua risada sexy. O sorriso dela é a coisa mais owt desse mundo, esse gif é só zoação mesmo
Sei que quando falamos de séries e filmes devemos falar da atuação dos atores, mas só tenho uma coisa a dizer: são todos perfeitos! A atriz que interpretou a Crazy Eyes, Uzo Aduba, ganhou o prêmio de Melhor Atriz de Série de Comédia, no SAG Awards 2015, por sua atuação em Orange Is the New Black . 
Norma e seu jeitinho
Algumas detentas fazem bastantes ""piadas"", principalmente racistas, o que pode (e vai) incomodar bastante. No entanto, devemos contar isso como ponto positivo, pois ao colocar essas detentas desbocadas, temos verossimilhança. Falando em semelhanças com a realidade, devo advertir que há muitas cenas de nudez e sexo, portanto não assistam com a família (dica de amiga).


Alex Vause sensualizando #Bandidona
Tentei assistir a um episódio por dia da terceira temporada, porque não queria ficar tanto tempo sem as minhas detentas prediletas, mas a minha tentativa foi falha. Agora terei que esperar até o meio do ano sem Crazy Eyes, Crazy Eyes, Red, Poussey, Soso... #AmoTodas. Vou chorar de saudades agora. Nicky, Stella... 



Boo cuzona (só às vezes) levando um fora da Janae Watson
Vou deixar dois link de onde você pode baixar todas as temporadas:
Red

Um abraço e assistam, por favor! Se seu comentário conter spoiler de algum episódio, por favor, sinalize. 

PS: senti um ódio tremendo da Piper na terceira temporada, ela é muito cretina, cara! 
PS²: Me indiquem séries legais aqui nos comentários, por favor, e me desculpem pela chuva de gif (risos).
PS³:
Eu tentei fazer essa dança da Boo. Minhas costas ainda doem.

06/01/2016

(Resenha de livro) O Amor Está no Quarto ao Lado - Li Mendi


“— Capitão, a minha filha...  ele repetiu pela terceira vez. Olhei nos seus olhos e vi que não daria tempo do médico chegar.  Ela é a coisa mais importante do mundo. Cuida dela.”

E é assim que O Amor Está no Quarto ao Lado começa, com grandes emoções. Em um acidente de serviço militar morre um soldado e suas últimas palavras formam um pedido para o capitão Ruan. Jeni é a filha do soldado, uma menina sem ninguém no mundo agora. Os dois, Jeni e Ruan, passam a morar junto, a vida dela muda completamente, pois agora precisa aprender a se cuidar, pois, além de órfã, precisa ficar sozinha durante longos períodos por conta do trabalho de Ruan, que o envia para missões constantemente. 

Creio que até agora quem lê essa resenha só imagina que há um sentimento fraternal ou até mesmo paternal entre os dois. Estão ligeiramente enganados. A convivência fez com que o amor romântico surgisse, esse sentimento, obviamente, é repleto de barreiras. Primeiro: Ruan é mais velho que Jeni, não há uma diferença monstruosa entre suas idades, no entanto quando falamos de idade real, que corresponde ao grau de maturidade de uma pessoa, a diferença é gritante. Segundo: Ruan deveria olhá-la como uma filha, ele deveria ser seu guardião. 

Terceiro: sabemos o quanto relações amorosas são frágeis, podem romper a qualquer momento e esse, na minha humilde opinião, era o principal motivo para que não houvesse um envolvimento amoroso entre os dois. Se os dois brigassem e terminassem do nada? E aí, como Jeni ficaria, aonde iria morar? Continuaria morando na casa do ex, ele continuaria sustentando-a? Perceberam a complexidade da história dos dois? 

Não torcia, definitivamente, por um romance entre os dois. Com a chegada de Daniel, um amigo virtual de Jeni, comecei a torcer para que ficassem juntos, mesmo achando esse lance de relacionamentos que começam pela internet uma coisa com todas as possibilidades para dar errado, mas é claro que existe aquela pequena poção de possibilidades que podem dar certo. Os dois começam a trocar mensagens pelo bate-papo do UOL, logo começam a falar de suas vidas, seus problemas, daí vem o apoio mútuo, os conselhos e, BUM, vai pintando um clima.

Como disse anteriormente, no começo não torcia por um relacionamento entre Jeni e Ruan, entretanto, aos poucos fui percebendo a mensagem da autora e sua real intenção. Li Mendi queria mostrar como é viver um amor fora dos padrões, ou seja, longe do que todo mundo espera. Aos poucos notei que eles só estavam lutando por essa relação, porque ela verdadeiramente merecia essa luta, os dois se amavam e acreditavam que tudo não desmoronaria por uma briguinha. 

Com 188 páginas, Li Mendi narra o que muitos casais fora dos paradigmas sofrem. A autora opta por colocar um preconceito mais velado, regado de olhares assustados e comentários bem ácidos por parte dos "amigos" e é claro que ela mostra como os dois lidam com isso. Não curti muito a forma que a Jeni defende-se de uma de suas "colegas", deixando bem claro o quanto ela é uma pessoa sortuda e melhor por conseguir um caro mais velho e gatíssimo, ela basicamente fala como se Ruan fosse um prêmio, um Deus, ou qualquer baboseira do tipo, o que me irritou bastante. 

Jeni, definitivamente, não é uma personagem cativante. A sua infantilidade, no começo, era até uma coisa engraçadinha, trazia uma leveza para o texto, mas ao longo da história ela fica pior, ia lendo suas “travessuras” revirando os olhos e falando um “aff” a cada frase. Em algumas cenas, Ruan e própria Jeni começavam a falar o quanto ela havia amadurecido, o quanto o relacionamento com um homem mais velho (maduro) a tornou uma pessoa mais sensata, menos infantil e mais madura, eu, sinceramente, não vi toda essa mudança, a guria usou a expressão “mulher para casar”! Deu vontade de entrar na história, pousar minha mão sobre o seu ombro, soltar um longo suspiro e falar: “mana, mulher pra casar é aquela que quer casar, ficha?”. Ela amadureceu, obviamente, mas ainda tinha alguns pensamentos e atitudes bem infantis. Foi somente nas últimas páginas que pude sentir uma mudança mais profunda.

“Ela era Jeni, com toda ênfase no “ni” quando eu gritava para que largasse o computador e viesse comer. Ou Jeni com maior prolongação no “Je” quando eu sentia que estava fazendo coisa errada. A pronúncia certa se encontrava fora do português (“Djeni”), como era fora do normal essas esquisitices de minha cabeça de estudá-la com primor de um matemático e não ter o que fazer com as fórmulas. Eu queria a matéria, fora dos planos, palpável, geometria espacial.” (pág. 5)

Ruan também fala algumas coisas que não me agradaram. Por exemplo, na concepção do personagem, as mulheres que dizem que não querem casar só falam isso porque não encontraram o cara certo, no momento certo. Migo, deixa a tia aqui falar uma coisa: quando alguém, homem ou mulher, diz que não quer casar, acredite em mim, essa pessoa não quer casar mesmo. É claro que ao longo da vida algumas dessas pessoas podem mudar de opinião, mas no momento em que disseram que não planejam se casar, essa pessoa não tá querendo mesmo, e não é porque não encontrou a pessoa certa, pode ter uma pessoa perfeita ao seu lado, o lance é que a pessoa não quer mesmo. É uma coisa tão difícil assim de ser entendida? Vou falar uma última vez: pessoa para casar é aquela que quer se casar, tá bem? Então tá bem.

"— Jeni, elas não encontraram o cara que é certo, no momento certo. Só que não vão ficar por aí chorando, resolvem dizer “Ah! Não quero mesmo”. " (Página 114)

O pior é que o meu asco pelo Ruan surgiu logo no começo do livro, na página 12. (Nesse momento, estou bufando de ódio). Ruan e um amigo seu, Ludovico, estão jogando xadrez, quando o senhor começa a falar que, em sua visão, houveram três fases, isto é, três visões e comportamentos sobre a traição. Primeira etapa: as mulheres sabiam que seus maridos a traiam, mas não falavam nada. Olha só a única reação do Ruan, o protagonista, um personagem descrito como extremamente correto, bom, direito, virtuoso, digno, honesto, honrado, íntegro, puro, o top das galáxias:

"Eu soltei uma risada e traguei o meu charuto, não acrescentei nenhuma observação, eram rituais sagrados àqueles ciclos de raciocínio do meu velho amigo. Qualquer quebra seria um sacrilégio."

A segunda etapa, em sua opinião, é a mais excitante, pois as mulheres começaram a ter oportunidade de também serem independentes financeiramente e não mais aceitavam a traição dos seus maridos. Diante disso, o proibido tornava tudo bem mais excitante, segundo ele. Querem saber qual é a reação do nosso bondoso protagonista diante de mais essa análise? Leiam aí:

"Não perguntei qual era, bastava dar um tempo para que chegasse ao final dos seus estudos antropológicos sobre as mulheres, que não poderia ser dito a ninguém, exceto a mim, por perigo de linchamento."

A última fase, a terceira, foi a mais sem graça para nosso caro senhor machistinha de merda Ludovico: agora, as mulheres se unem contra o cretino traíra! Elas viram amigas, apoiam-se e, às vezes, podem até terminarem juntas. Olha a reação do nosso menino de ouro, o Ruan:

"— Por certo!  ri novamente.  Não se deve deixar que elas se conheçam, porque vão sentar e debater nossos defeitos, se bobear, terminam juntas.  empurrei mais uma peça.  Xeque-mate."

Permitam-me fazer uma análise baseada nessa cena: mulheres são ensinadas desde cedo a rivalizar porque juntas somos fortes, "a união faz a força". Foi bem difícil prosseguir com a leitura do livro depois dessa decepção logo na página 12. Estava em uma época bem apertada da faculdade e, no meu pouco tempo livre, não tinha entusiasmo pra ler O Amor Está no Quarto ao Lado, por isso demorei tanto para ler e publicar a resenha (acho que quase um ano).  Acharam essa conversa entre Ludovico e Ruan uma coisa péssima? Tem coisa pior. Mas pelo menos o porco do Ludovico só apareceu uma vez na história (visualizem um emoticon com a carinha feliz, pois não consigo colocar, porque fui obrigada a ler essa fatídica cena do xadrez para poder escrever essa resenha). Levanta o dedo quem acha que um personagem correto, bom, direito, virtuoso, digno, honesto, honrado, íntegro, puro, o top das galáxias deveria ter feito ou falado alguma coisa diante de afirmações tão machistas... Vou levantar a minha e acho que não sou a única \0/ (levanto as duas mãos logo, porque sou divergente).  

Li a versão do livro publicado em seu site, há a versão impressa dessa obra, com um final diferente. A edição do meu ebook é de 2007, portanto ele ainda não está de acordo com o novo acordo ortográfico. Algumas palavras estão escritas erradas e repetidas, erros que já devem ter sido corrigidos na versão impressa, nenhum desses erros impedem o entendimento da história. O underline (_) usado como travessão trouxe uma poluição visual para o texto, espero que tenham concertado isso na edição impressa também.

A capa é essa coisa fofa que você estão vendo aí, gostei bastante. Creio que pela capa já dá para se ter uma noção do conteúdo, mas se ainda não notaram, vou dar um aviso: não passem nem perto de O Amor Está no Quarto ao Lado se não estiverem no clima para ler longas e diversas cenas de declaração de amor, descrições minuciosas de beijos, carícias, abraços e etc. Por incrível que pareça, eu estava no clima e achei bem “amorzinho” algumas cenas... Muito amor entre os dois, gente (risos).

Ficou com vontade de ler? Entra lá no site da autora e baixe esse e outros diversos livros, tá tudo de graça lá. Baixe nesse link.

FICHA TÉCNICA
Sinopse: Jeniffer é uma jovem estudante que perde o padrasto em um acidente de serviço militar. Antes de morrer, este lhe confia aos cuidados do capitão Ruan. O amor que nasce entre eles é arrebatador e mexe com os corações. Os dois mal percebem que não precisam ir tão longe para serem felizes. Porque o amor pode estar bem ali, no quarto ao lado.

Adicione ao skoob aqui
Título: O Amor Está no Quarto ao Lado
Autora:  Li Mendi
188 páginas
Ano: 2007
Formato: digital (ebook)
Gênero: Romance/Drama
Baixe gratuitamente aqui

02/01/2016

Tchau, 2015... Olá, 2016



Não sei como 2015 foi para você que lê essa publicação, mas tenho certeza que não foi de todo ruim. Não vamos ser pessimistas, ok? O lance é que 2015 passou, temos um ano novinho em folha, pronto para ser aproveitado e vivido ao máximo, portanto faça com que ele seja o melhor. Esse é o meu pequeno texto motivacional. 

Ok, agora eu quero falar de outra coisa: o blog. Ele tá paradão, eu sei. Acontece que o blog é uma das minhas metas para 2016, criei esse espaço para dividir a minha opinião sobre os mais diversos assuntos e me recuso a deixar de lado esse projeto que é tão legal só por não ter tempo de qualidade. Aí vai uma promessa para 2016: vou dar mais atenção para o blog. Quando falo que tenho pouco tempo, não é no sentido literal, calma, vou explicar. 

Acho que não sou a única a ter a mania horrível de se preocupar demais e é por conta disso que venho abandonando o blog. Foco tanto nos estudos, preocupo-me tanto em estudar que acabo nem conseguindo me concentrar em mais nada. É uma coisa bem chata e que não acrescenta em nada na minha vida. Prometi a mim mesma que pararia de me preocupar tanto, aliás, estou prometendo agora. E se você sofre desse mal, por favor, pare. Vamos parar, gente! Têm tantos livros, séries e filmes legais por aí, precisamos aproveitar, deixar de nos preocupar tanto. Essa é, com certeza, a promessa que mais tentarei cumprir. Já tenho até um projeto: três postagens por semana. Por favor, me desejem sorte. 

Gosto muito de, ao terminar um livro, sentar numa cadeira e começar a escrever sobre o mesmo e, em seguida, publicar o que escrevi. É uma sensação ótima, juro! Não vou acabar com o blog, muito pelo contrário, vou aprender a conciliar o blog com a faculdade e deixar de ser tão "noiada". Tô até escrevendo essa publicação para oficializar essa promessa (nem sei se promessas são oficializadas rs).

Ah, tem mais uma coisa: vou começar a falar de séries. Vinha planejando isso há algum tempo, portanto já tenho algumas resenhas escritas que estarão disponíveis já na outra semana. E, assim como a coluna "coisas de leitor", teremos uma coluna chamada "coisas de seriador". Alguém sabe o que será publicado nessa coluna? Coisas de seriador (piadinha chata).

Adoro esse clima de Ano Novo, essa coisa de fazer promessas sempre nos dá um impulso especial e aí está as minhas. Ah, e podem puxar a minha orelha em 2017, se eu não cumprir o que prometi. E você? Já tem sua lista com as metas para 2016? Tá esperando o quê? Faça a sua.

Então é isso. Só queria desejar um feliz 2016, que seja um ano cheio de realizações boas, sorrisos, muito amor, muitas séries legais e muitos livros bons. 

Um abraço!

PS: eu também tô com a meta de ler mais de 50 livros em 2016. 




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