03/09/2014

(Resenha) A Cabana - William P. Young



Seguindo com o clima de religiosidade que a leitura de Anjos e Demônios proporcionou, comecei a ler A Cabana. Já ouvi e li críticas aclamando ou vaiando o livro que originalmente foi publicado em uma editora pequena e que já esteve em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Eu, fã de uma polêmica no meio literário, já começo a ler esperando uma grande decepção ou uma grande paixão.

Mack, o protagonista, passa por uma situação que nenhum pai gostaria de estar passando: sua filha desapareceu e provavelmente foi assassinada por um serial killer conhecido como o Matador de Meninas. Anos se passam e Mack está envolto pela Grande Tristeza e questiona o motivo de Deus permitir tamanha brutalidade.

Em uma manhã, Mack vai à sua caixa de correio e, entre as correspondências, encontra um bilhete marcando um encontro no local onde sua filha morre: na cabana, o símbolo de sua Grande Tristeza. O mais instigante é que a correspondência não tem remetente, é apenas um pedaço de papel assinado por "Papai", nome que Nan, sua esposa, usa para se referir a Deus.

Logo no prefácio o autor utiliza um recurso que foi usado por Machado de Assis. Quando fala: "Se você odiar essa história, desculpe, ela não foi escrita para você" (página 11), o autor conversa com o leitor por meio de seu personagem e ainda o desafia. Ao ler um livro, todo mundo espera gostar da história ou, ao contrário, nem abrimos o livro. Quando viramos a página 11 do livro A Cabana queremos que a história seja para nós, temos a expectativa que a história seja boa.

Eu, presa a estereótipos, tive dificuldade para imaginar Deus da forma como era apresentado, humano (estranho?), em uma figura que passa longe de qualquer imaginação. Não contem isso como ponto negativo, eu não contei. Essa dificuldade, como disse, é resultante de uma figura já construída na minha imaginação.

" Na verdade é bem simples. O ser sempre transcende a aparência. Assim que você começa a descobrir o ser que há por trás de um rosto muito bonito ou muito feio, de acordo com seus conceitos e preconceitos, as aparências superficiais somem até simplesmente não importarem mais." A Cabana, página 73.

A Cabana desperta seus questionamentos mais íntimos em relação a Deus. É impossível você não se solidarizar com a dor de Mack e não olhá-lo como um espelho. Após ler A Cabana, seus questionamentos nunca mais irão dormir ou ficar envoltos em certezas provenientes de uma mentira que você criou para ficar em uma zona de conforto. É impossível você não derramar uma lágrima quando se põe no lugar de um pai que se sente culpado pela morte da filha.

Recomendo a leitura. Talvez você se espante com a forma como Deus é mostrado, assim como eu, mas com o tempo nós acabamos nos acostumando e entendendo. Demorei um bom tempo para terminar de ler, duas semanas para ser exata, pois eu cheguei a reler um capítulo inteiro para compreender qual era a ideia e o ensinamento que ele queria passar. O mais interessante de tudo é que o autor em nenhum momento ofende a religião de ninguém.

Com toda a certeza A Cabana não foi uma decepção. Vou reler esse livro um dia para comparar minhas concepções atuais com as futuras.


FICHA TÉCNICA

Sinopse: A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana para passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta a cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, "A Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?" As respostas encontradas por Mack surpreenderão você e, provavelmente, o transformarão tanto quanto ele.

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Título: A Cabana
Autor: William P. Young
173 páginas
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-025-9
Compre: Cultura | Amazon | Saraiva

12 comentários:

  1. foi um dos livros mais emocionante que li!
    de verdade, um misto de sentimentos e sensações! a fé, o drama e a reconstrução foram incríveis da forma como foi trabalhado!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Digo o mesmo. Todo isso junto faz com que todo leitor se sinta tocado, alguns mais outros menos. Não tem para onde ir, "A Cabana" merece parabéns por tudo e principalmente pela ousadia do autor. Obrigada pela visita!

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  2. Olá!
    Já me recomendaram este livro, ouvi dizer que é lindo e agora com sua opinião complementou, eu quero ler! E vou rsrs.
    Poxa, logo depois de ler um de Dan foi para este, eu não conseguiu pois para mim os livros dele tem escrita forte e fico alguns dias de ressaca literária kkkk, ok, eu amei e aber que é religioso me despertou mais ainda a curiosidade.

    Beijos!
    De tudo um pouco

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    1. É, Tamires, eu também não sei como eu consegui terminar um livro como "Anjos e Demônios" e começar a ler "A Cabana". Eu também recomendo a leitura, espero que goste.
      Obrigada pela visita e volte sempre!

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  3. Olá Karina, já li este livro e gostei bastante, mas a continuação simplesmente destruiu este sentimento que eu senti em relação ao segundo, mas foi uma leitura que valeu a pena para mim. Fico feliz que tenha gostado. É uma história bem curiosa e emotiva digamos assim.
    Parabéns pela resenha e sucesso.
    http://chuvaelivros.blogspot.com

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    1. Oi, Irisvanda! "A Cabana" não tem uma continuação. Outros autores escreveram livros que ajudam a entender a mensagem do livro como, por exemplo, "De Volta à Cabana" e "Encontre Deus na Cabana".
      Enfim, o livro é lindo e emociante mesmo.
      Obrigada pela visita e volte sempre!

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  4. Oii, tudo bem?
    Nunca li A Cabana, mas já tinha ouvido falar sobre esses questionamentos que o livro levanta. Me parece um livro bem reflexivo.

    http://a-libri.blogspot.com.br

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    1. Oi, Angélica! É um livro que levanta muitos questionamentos e faz com que você olhe algumas coisas por outro ângulo. Nem vou dizer que super aconselho a leitura rsrsrs.
      Obrigada pela visita e volte sempre. Beijos!

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  5. Olá, Karina! :D

    Normalmente, eu gosto de ficar longe das polêmicas literárias, especialmente quando o livro é religioso. Muitos 'haters gonna hate' de um lado, muitos partidários do outro, tentar conciliar os dois lados cansa bastante. Antes de tudo, parabéns pela coragem!

    Eu realmente não acho que A Cabana seja para mim. Apesar da sua análise (muito racional e bem descritiva, devo dizer) mostrar a questão da quebra de estereótipos e ideias pré-concebidas, sou reticente e um protagonista deste tipo só me deixaria mais e mais estressada. Livros muito tensos ou desafiantes (?) são terríveis para mim, tento evitá-los de qualquer forma, haha!

    A cada resenha sua que acompanho, sinto uma evolução muito grande. É excelente de sua parte avaliar claramente cada aspecto de sua leitura (gostei especialmente desta parte "Não contem isso como ponto negativo, eu não contei. Essa dificuldade, como disse, é resultante de uma figura já construída na minha imaginação.". Você demonstra ao leitor que nem tudo que aparenta ser uma coisa ruim PRECISA ser)!

    E feliz ano novo! Que 2015 traga muita saúde e leituras para todos nós!

    Ana Carolina Nonato
    Blog Seis Milênios
    http://seismilenios.blogspot.com

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    1. Oi, Ana!
      Eu já sou o oposto: vou atrás das polêmicas (risos). Mas acredito que talvez esse livro não deva ser lido em qualquer momento. Sim, ele suscita muitos questionamentos, requer uma quebra de imagens e até algumas ideias já construídas. "A Cabana" foi o primeiro livro que li com essa premissa e espero ler outros. Estou numa fase que tudo na minha vida é um ponto de interrogação e talvez esse tenha sido o motivo de ter gostado do livro. Talvez se eu tivesse lido ele em outro momento não teria a capacidade de avaliar o que o autor estava propondo.
      Nossa, fico muito feliz em saber que minhas resenhas estão agradando. Procuro sempre avaliar cada aspecto da leitura e trazer um texto bom para meus leitores. Fico muito feliz em saber que estou no caminho certo.
      Muito obrigada pelo comentário e pela visita. Fique à vontade para voltar quando desejar.

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  6. Eu li este livro já há algum tempo, mas ainda me lembro bastante de seus acontecimentos, o que significa que ele me marcou bastante. Acredito até que foi o livro em que mais chorei, especialmente quando se fala da morte da filha de Mack e da maneira como seu vestidinho foi encontrado ensanquentado naquela cabana. E´uma leitura forte, que ti choca, mas acho que vale a pena ter essa experiência se você é cristão.
    Sobre a aparência com a qual os personagens são mostrados, eu acho importante que tenha sido daquela forma. Em geral eu imaginava Deus como um senhor de idade, com cabelos brancos e muito sábio, no estilo de Dumbledore ou Gandalf. Mas o livro foi importante para eu perceber que "Deus transcende a aparência".

    http://leitoresforever.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Eu também imaginava Deus como Gandalf...
      Também chorei muito com esse livro. O autor fez com que eu sentisse a dor daquele pai.
      Eu recomendaria ele não só para quem é cristão. É uma leitura que deve ser feita para todos que estão em um momento de reflexão sobre os valores que nos cercam.
      Enfim, é um livro muito bom e que, lido no momento certo, ajuda bastante.
      Obrigada pela visita, linda, e volte sempre.

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